Dezembro
Por que embargam Cuba e não à China?
Nunca
fui especialista em EUA nem em China. Mas tenho minhas hipóteses.
O
embargo à Cuba, supostamente, se deve à oposição a um governo tirânico e a um
modo de produção que põe em risco o american way of life. Mentira.
O embargo à Cuba só se explica tendo em mente o desembarque de mísseis
soviéticos na baía dos porcos. Uma economia menos movimentada dá menos margem
ao desembarque de itens suspeitos numa localidade tão próxima da costa
estadunidense.
Se o
embargo à Cuba tivesse mesmo raízes ideológicas e políticas, os EUA deveriam
embargar também a China, incontestemente território ditatorial que se furta a
oferecer aos seus cidadãos o mínimo de transparência, acesso a informação,
diálogo com estrangeiro, entre outros critérios que podemos classificar como
“direitos civis”. Essa luta toda que os pais da pátria americanos travaram no
século XVIII. Hoje o cidadão estadunidense já não goza de tantos direitos civis
como queriam esses gênios da política de matiz iluminista.
No
meu ponto de vista, os EUA não impõem bloqueio à China porque esta realiza o
seu maior objetivo: máxima produção de “consumer goods” com o mínimo de
direitos trabalhistas e o melhor: sem nem chance de reclamação. Do outro lado
do mundo, os submissos chinesinhos não têm nem como apelar ao consumidor das
Américas.
Trump
anunciou taxação de 60% aos produtos chineses, neste fim de ano, ao assumir a
cadeira do capitólio. Postura condizente com os valores da pátria americana:
não se bloqueia um fluxo de mercadorias, apenas se garante o lugar dos
cidadãos. Neste caso, cidadãos industriais. Homens de negócios. Como na aurora
do liberalismo, Trump não parece nem um pouco preocupado com a hegemonia do
Kuomintang, mas busca apenas assegurar o filão dos combalidos industriais
estadunidenses. Tal qual Locke, Ricardo, Smith, “cidadão é quem produz”.
Cidadania global? Isso é papo pros loucos da ONU, de quem os EUA são o braço
armado mas não compartilha em quase nada os ideais.
Não
tivesse eu aprendido da pior maneira que briga não se separa, sob o risco de
sair levando a pior junto com o agredido, condenaria Trump. Mas o chefe de
Estado deve saber quais brigas comprar. E se não luta pelo direito do
trabalhador estadunidense, que dirá do pobre proletário chinês...
O
desastre ambiental já se evidencia tanto nos EUA quanto na China. A dúvida,
para quem preza por um bom jornal, que critica deus e o mundo, além de gostar
de poder conquistar bens duráveis e poder vendê-los (como uma casa ou chácara),
é até quando os chinesinhos serão submissos e quando será dada a famosa manobra
chinesa “cama-de-gato”, quando quem está por baixo se levanta súbita e repentinamente
e agride seu oponente.
Lucas
Furió
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